Cobogó: matéria, luz e desenho
Uma parede também pode ser feita de aberturas. No cobogó, os vazios fazem parte do desenho: permitem enxergar através da composição e criam diferentes enquadramentos conforme nos movimentamos pelo espaço.
A repetição das peças forma uma superfície com ritmo e profundidade. Vista de frente, sua geometria se destaca. De lado, a espessura dos elementos ganha presença. A luz e as sombras acrescentam outras camadas a essa percepção.
O interessante está na combinação entre delimitar e conectar. Um painel vazado pode marcar a separação entre ambientes sem interromper inteiramente a relação visual entre eles. Conforme o desenho e a disposição das peças, revela partes do espaço e resguarda outras.
O cobogó também encontra novas interpretações no design contemporâneo. Na Lisbon Design Week de 2025, o designer brasileiro Adônis Evangelista apresentou o Cobogó Mucuri, desenvolvido a partir do reaproveitamento de resíduos de mármore. O projeto mostra como a pesquisa de materiais pode renovar esse elemento, preservando a relação entre aberturas, luz e desenho.
A escolha de um elemento vazado envolve observar sua escala, a proporção das aberturas e os materiais ao redor. Uma mesma peça pode produzir composições discretas ou ganhar protagonismo no ambiente. Seu desenho participa tanto da arquitetura quanto da experiência de quem percorre o lugar.
No Inajá 223, o cobogó estará presente junto ao acesso externo e dentro do hall, estabelecendo uma continuidade entre a chegada e os interiores. Em diálogo com o paisagismo, os acabamentos amadeirados e a iluminação, ele fará parte da identidade desses espaços.
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